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sexta-feira, 15 de março de 2019

CEARÁ;A OFENSIVA CONTRA O ALICERCE DAS FACÇÕES

Por Rogerio Palhano   Postado  sexta-feira, março 15, 2019   Sem Comentários


Operação de ontem, do Ministério Público, foi nova ofensiva contra facções.A Operação Piranji II, deflagrada ontem, uma das maiores ofensivas já realizadas contra facções criminosas no Ceará. Dois dias antes, outra operação contra facção foi realizada pela Polícia Civil em Sobral. Foram presas 11 pessoas e outros 13 mandados cumpridos contra pessoas que já estavam presas. Em conjunto, as ofensivas desta semana estão entre as mais significativas contras as facções desde o fim da série de ataques de janeiro de 2019.

Antes, entre 1º e 2 de fevereiro, 40 pessoas foram presas na segunda fase da operação Contra-Ataque. A primeira fase, em 25 de janeiro, prendeu 42 pessoas.

Na segunda-feira, 11, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) divulgou queda de 54,8% nos homicídios em fevereiro. Na soma dos meses de janeiro e fevereiro, o Ceará teve o menor número de mortes violentas em dez anos.

Queda nos homicídios é sempre para se comemorar. Mesmo diante da realidade muito pior que a média do País. Ainda mais porque já são 11 meses seguidos de redução dos homicídios, ainda que não na mesma intensidade vista desde o início do ano.

Ocorre que janeiro e fevereiro foram atípicos, cada qual a seu modo. Janeiro teve redução dos homicídios, ao mesmo tempo em que ocorria a maior onda de violência já registrada no Ceará, uma das maiores do País. Houve mobilização externa para socorrer o Ceará, com envio da Força Nacional e policiais de outros estados. Em fevereiro, a Força Nacional permaneceu.

A presença do policiamento ostensivo é parte da explicação, mas não responde a tudo. É inequívoco que janeiro e fevereiro foram atípicos. É uma boa notícia que o Carnaval já tenha sido bem menos violento. Isso já após a saída da Força Nacional.

A questão mais importante hoje sobre a segurança pública no Ceará é até que ponto a ofensiva contra as facções desencadeada desde janeiro conseguiu, de fato, atingir os alicerces das organizações criminosas. A resposta a essa pergunta irá dizer se a redução de homicídios será sustentável. Ou se será mais um momento de gangorra, como outros já vistos nos últimos anos.

Nem mesmo as forças de segurança pública têm ainda a resposta. Também não será jamais uma obra acabada. Chefes foram transferidos para penitenciárias federais. Novas operações seguem ocorrendo e outras mais serão necessárias. Mas, as facções têm capacidade de regeneração não desprezível. Por isso, é importante manter a guarda alta e o combate intenso, agora que os grupos criminosos parecem mais vulneráveis.

No momento em que as facções realizaram a mais audaciosa onda de ataques, o Estado reagiu com força. Na resposta, há sinais de que desmontou a estrutura estabelecida nos grupos criminosos. Desbaratou redes de comando.

Não pode repetir o erro de 2015 e 2016. Naquele momento, facções firmaram trégua e o comando da Segurança se iludiu. O então secretário Delci Teixeira dizia que membros de facção eram "pirangueiros" que apenas jogavam pedras em delegacias. Subestimadas, elas se organizaram e se armaram.

O Ceará teve dois meses de ótimos resultados, mas o cenário era atípico e não dá para dizer que a melhora está consolidada. Janeiro pode ter sido o início de uma virada no desmonte das facções. Porém, essa vitória ainda precisa ser confirmada.

A resposta do secretário

Diante dos bons resultados, o secretário André Costa foi entrevistado na terça-feira na rádio O POVO CBN e outras emissoras. Comemorou números e reclamou de "falsos especialistas" que atribuem a melhora a um acordo entre facções. Não acho que tenha sido apenas isso, mas o secretário minimiza o papel da Força Nacional, tão arduamente negociado. O policiamento ostensivo contribuiu muito, e a Força Nacional foi parte. A menor parte. Também é fato que, sobretudo em janeiro, os grupos criminosos agiam em sintonia e estavam mais voltados para realizar ataques que para se matarem mutuamente. Isso é óbvio e não desmerece o trabalho das polícias.

Em 2015, as autoridades ficavam ofendidas quando questionadas se os homicídios caíam por causa da trégua nacional entre criminosos. Em 2017, quando os acordos chegaram ao fim, os mesmos doutores atribuíram o recorde de homicídios à guerra entre facções.
ÉRICO FIRMO/OPOVO

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