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sábado, 2 de fevereiro de 2019

NINGUÉM SE ENTENDE NO PSL

Por Rogerio Palhano   Postado  sábado, fevereiro 02, 2019   Sem Comentários


Rebelião levou 18 parlamentares a ameaçarem deixar a legenda antes da posse. Nas trocas de chumbo, há até acusação de tentativa de assassinato.

No Velho Testamento da Bíblia, no livro do Gênesis, uma das passagens mais conhecidas conta a história da Torre de Babel. Uma imensa construção, com o intuito de chegar até o céu para alcançar Deus e transformar a Babilônia no centro político e religioso do mundo. 

Deus, contrariado com a soberba e pretensão dos babilônios, embaralhou a língua dos construtores da torre, criando uma confusão sem precedentes para puni-los. O PSL é uma construção política que elegeu como presidente Jair Bolsonaro, quatro senadores e 52 deputados. 

Com as mudanças de partido que já aconteceram, iniciou na sexta-feira a legislatura na Câmara com 55 deputados. Mas, como na Torre de Babel, não se fala ali a mesma língua. As disputas internas já incendiaram uma rebelião de 18 parlamentares que ameaçaram sair do partido. 

As pesadas trocas de chumbo entre os parlamentares do partido do presidente chegam até a acusações de tentativa de assassinato. É com essa turma estridente e desarticulada que o presidente contará para aprovar seus projetos, especialmente a reforma da Previdência.

Líder que não lidera

Nesta semana, Bivar teve que administrar uma ameaça de rebelião de fato, que poderia levar o partido do presidente da República a iniciar seu primeiro mandato no Legislativo com 18 deputado a menos. O pivô da rebelião foi a forma como o governo escolheu como líder o deputado Vitor Hugo (PSL-GO). 

A indicação foi uma surpresa para boa parte da bancada. Embora tenha algum trânsito na Câmara por ter trabalhado como consultor legislativo, Hugo é deputado de primeiro mandato. Outros deputados julgaram que, com a mesma inexperiência, teriam mais capacidade para exercer o cargo. 

Ou seja: embriagados pelo discurso de renovação, os deputados do PSL se consideram todos protagonistas. São 52 novatos, todos querendo sentar na janelinha do avião.

O primeiro surpreso com a escolha de Vitor Hugo foi o atual líder da bancada, Delegado Waldir (GO). Ligado ao senador Major Olímpio (SP), Waldir achava que o cargo iria para ele. Mais do que perder a indicação, ele ficou ainda mais indignado por ter sido para Vitor Hugo. 

Na campanha, os dois tiveram desentendimentos em torno da distribuição de recursos do fundo partidário para a campanha. Waldir ó presidente do PSL de Goiás, e dono da chave do cofre no Estado. Vitor Hugo sentiu-se desprestigiado na distribuição do dinheiro.

Como prêmio de consolação, Luciano Bivar resolveu, então, manter Waldir na liderança do PSL. Aí, deu-se a rebelião. Os deputados novatos consideraram que não seria justo mantê-lo no cargo. 

O deputado Felício Laterça (RJ) lançou, então, uma candidatura dissidente. Pressionado a desistir pelo comando do partido, liderou a rebelião. Ameaçou deixar a legenda e levar com ele outros 17 parlamentares. 

Durante esta semana, Felício chegou mesmo a procurar partidos que pudessem abrigá-lo, junto com seu grupo de descontentes. O motim foi contido numa reunião na noite de terça-feira 29 numa reunião com Bivar. O presidente do partido prometeu que ele será aclamado vice-líder da bancada na semana que vem.


A síndrome da janelinha gera outros desconfortos, porém. A deputada Bia Kicis (DF) articula sua indicação para a Comissão de Constituição e Justiça, a principal comissão da Câmara. Ocorre que Bia foi eleita pelo PRP. Transfere-se agora para o PSL. 

Deputados da bancada reclamam que a nobre comissão deveria ficar com alguém efetivamente eleito pelo partido. Numa reunião na quarta-feira 30 na residência da Presidência da Câmara para ratificar o apoio à reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ), a insatisfação foi explicitada por Alexandre Frota (SP). 

Quando se tocou no tema da composição da CCJ e da pretensão de Bia, Frota respondeu: “Primeiro chegue no partido e depois dispute cargos”.

O suplente Rodolfo Nogueira foi acusado de tramar a morte da senadora Soraya Thronicke para ficar com o cargo

Os rolos do PSL ultrapassam o Congresso e chegam aos Estados, onde há até insinuação de assassinato. Nesta semana, a senadora Soraya Thronicke (MS) divulgou nas suas redes sociais uma manifestação pública contrária a dois colegas de partido e de Estado: o deputado coronel David e Rodolfo Nogueira, que vem a ser nada menos que seu suplente no Senado. 

Os dois espalharam informações de que a senadora teria dado uma espécie de “golpe parlamentar” contra eles para tomar conta do partido. 

“Em política, o grupo vencedor substitui o perdedor, e isso serve também para política partidária”, diz a nota divulgada pela senadora. “Ainda que a covarde campanha difamatória contra Soraya Thronicke continue por mais dias, semanas ou anos, Coronel David e Rodolfo Nogueira jamais voltarão a comandar o PSL”, finaliza o texto. Rodolfo chegou a ser acusado de ter tramado a morte de Soraya para ficar com o cargo. Na campanha, andou com colete à prova de balas. Rodolfo nega as acusações.

Conforme a Bíblia, a falta de entendimento fez com que a Torre de Babel ruísse. No PSL, a construção ainda nos alicerces segue aos trancos e barrancos.

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