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domingo, 6 de janeiro de 2019

VÍDEO; TOLERÂNCIA ZERO NOS PRESÍDIOS DO CEARÁ

Por Rogerio Palhano   Postado  domingo, janeiro 06, 2019   Sem Comentários


A correta regra do novo secretário: “Quem manda é o Estado. Eu não reconheço facçã. O Estado não deve reconhecer facção. A lei não reconhece facção. Então nós vamos aplicar a lei”.


Entre as definições para o termo “terrorismo” está a seguinte: modo de impor a vontade pelo uso sistemático do terror. Basicamente, é o que traduz a série de ataques praticados por grupos terroristas no Ceará.

Sim, terroristas. A ideia é tornar a sociedade e os governos reféns de suas vontades. É óbvio que o Estado, visto aqui em seu sentido mais amplo, não pode jamais se submeter. Muito menos a sociedade.

Pela extrema reação da bandidagem, é sinal de que, enfim, o Estado resolveu assumir por inteiro o controle da situação. Principalmente, assumir o controle dos presídios. É de lá que o comando do crime emite suas ordens. Estas estruturas públicas, criadas para retirar os criminosos do convívio social, isolando-os por completo, estão sob domínio de facções. Trata-se de uma constatação que o Governo não admite publicamente, mas, sabemos bem, é a realidade.

A reação dos criminosos, apostem, é uma tentativa de desmoralizar não apenas o Governo, o governador, mas principalmente o novo secretário da recém-criada Administração Penitenciária, Luis Mauro Albuquerque. Trata-se de um policial civil originário do Distrito Federal que tem uma visão muito clara acerca do papel do Estado: “Quem manda é o Estado. Eu não reconheço facção. O preso é o preso. Não tem diferenciação perante a lei”. Perfeito.

Na prática, tecnicamente, o novo secretário buscará desmontar uma herança negativa da gestão Camilo 1. Um absoluto caos do sistema prisional quando o Estado abdicou de combater o desmantelo do sistema e o poderio das facções nos presídios a ponto de segmentar as facções em espécies de, digamos…, condomínios fechados (as penitenciárias), regiamente bancados pelo contribuinte.

O erro dos erros foi aglutinar presos de acordo com a facção a qual pertencem, distribuindo-os para presídios que, ao fim das contas, passam a ser controlados pela dita cuja. Assim, quem entra lá, automaticamente, pertence ou passa a pertencer à facção.

Então fica assim: determinado presídio pertence a uma facção, outro presídio à outra facção. E assim sucessivamente. Entenda-se por “controle” o acesso a vários privilégios, como televisão, comida diferenciada, cigarros, bebidas, dinheiro, visitas íntimas e, claro, celulares, o meio pelo qual continuam comandando o crime nas ruas. Além de outros.

Trocando em miúdos, quando tais circunstâncias se concretizam, é a absoluta desmoralização da autoridade pública.

A contratação de Luis Mauro para cuidar do sistema de presídios parece ter como objetivo acabar com essa lógica que só se desenvolveu por compreensão errada, negligência e omissão das autoridades públicas. Na prática, prevalecia um, digamos…, acordo não declarado: a bandidagem fica na posse dos presídios, de onde comanda seus negócios criminosos, tráficos e assassinatos. Em troca, deixa de cometer homicídios nas ruas.

A coisa toda, uma estrovenga, chegou a funcionar. Os índices da criminalidade chegaram a diminuir. Mas, claro, não poderia dar certo. Tudo explodiu novamente quando as facções resolveram entrar em guerra, o que fez a quantidade de homicídios bater recordes em pouco tempo.

A mudança de raciocínio do Governo gerou uma reação tão desesperada dos criminosos a ponto de, possivelmente, ter provocado uma trégua e união entre facções rivais.

É preciso que a sociedade, que a população, entenda esse momento da seguinte forma: é a crise da mudança de paradigmas. Pelo menos é essa a torcida e a expectativa de todos nós.

Camilo Santana agiu correto ao pedir ajuda federal. Talvez devesse ter feito isso há pelo menos dois anos. Antes tarde do que nunca. Internamente, o novo secretário age corretamente ao não reconhecer facções no interior do sistema prisional. Todos os presos são iguais e devem ser tratados como tal.

O único comando aceitável dentro dos presídios é o das autoridades penitenciárias. É o da autoridade policial. Do Estado. Não devemos duvidar que esse seja o pensamento e a firmeza de propósito do governador.

“É inédito e estamos vislumbrando isso. No decorrer dos anos, todo interno que entrar no sistema penitenciário vai sair com uma profissão. Com isso, haverá um ganho social”, ressalta o novo secretário. Certíssimo.

Está errado e age de forma complacente quem o critica por ressaltar que o império é o da lei e o da autoridade pública.

Continue erguendo o tacape da lei, secretário. No cotidiano, tome as ações necessárias, profissionais e com base na ciência, tecnologia e experiência policial. Nada de inventar. Cumpra-se a lei. Assim, terá sucesso.

Não custa lembrar: “Quem manda é o Estado. Eu não reconheço facção. O Estado não deve reconhecer facção. A lei não reconhece facção. Então, nós vamos aplicar a lei”. Simples assim.

Fora disso, a saída é o aeroporto. Mas tal saída serve apenas a um punhado de cearenses com recursos financeiros que lhe permitam ir embora. 

Fugir dessa dura realidade para melhor passar. Porém, quando o cidadão adota esse doloroso caminho é por ter chegado ao limite da tolerância pessoal. Algo traumático.

No mais, o melhor caminho da grandiosa maioria dos cearenses é trincar os dentes, resistir e torcer para que o novo caminho alcance sucesso.

Vejam no vídeo abaixo um exemplo do trabalho de Luis Mauro no presídio de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte, em reportagem do Fantástico, na Rede Globo.

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