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domingo, 27 de janeiro de 2019

O QUE MATOU EM BRUMADINHO FOI O RETRATO DA REALIDADE

Por ipuemfoco   Postado  domingo, janeiro 27, 2019   Sem Comentários


Enquanto escrevo, informa a Folha, são 34 os mortos confirmados na tragédia de Brumadinho e, atenção para a expressão de um desastre moral: o número de desaparecidos CAIU para 299. 

Marcamos um novo tento entre as maiores tragédias ambientais no mundo, com um custo ainda não sabido de vidas humanas. Como é mesmo, John Donne? 

A morte de qualquer homem me diminui. Não no Brasil. Por aqui, a morte tem servido para engrandecer alguns valentes. Eles até a transformam em plataforma eleitoral em nome da legítima defesa do que consideram “as pessoas de bem”. Os decentes já se sentiram diminuídos 34 vezes. 

Os indecentes estão fazendo de conta que a questão não lhes diz respeito. Pior do que isso: dedicam-se ao proselitismo com a morte alheia. E em favor da morte. Algo deu bastante errado naquela área explorada pela Vale. Há três anos, algo deu bastante errado em Mariana. Tudo o mais constante, as condições para que mais cadáveres se amontoem estão em curso e sendo ampliadas. Algo dará errado ainda muitas vezes. 

E isso quer dizer uma coisa: não é erro, mas método. Podemos suportar alguns mortos em nome da grandeza, não é mesmo? 


O desastre de Brumadinho já tem uma frase-símbolo, dita por Romeu Zema, o governador que está no comando de Minas há 26 dias: “Vamos resgatar somente corpos”. Ele é do partido “Novo” — eis uma abordagem, com efeito, bastante “nova” da questão. 



Oh, não! Ele não pode ser responsabilizado pelo desastre. Mas ele e seu partido já fizeram escolhas que fluem no mesmo sentido da lama que engole pessoas e decência. 

Há mais do que somente corpos, senhor governador novato. Há histórias pessoais. Há filhos sem pais. Pais sem filhos. Mulheres sem maridos. Maridos sem mulheres. Parceiros sem parceiros. Amigos sem amigos. E, infelizmente para o país, terei de dizer o que ele tem com isso. Não foi só o erro que matou em Brumadinho — porque algum houve. 

Não foi só o descuido que matou em Brumadinho, porque algum houve. O que matou em Brumadinho foi um entendimento do mundo. Um entendimento que mata pessoas.

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