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quarta-feira, 15 de agosto de 2018

RIO DE JANEIRO; A HISTÓRIA QUE OS DIAMANTES NÃO CONTARAM

Por Rogerio Palhano   Postado  quarta-feira, agosto 15, 2018   Sem Comentários


Como um governador, um banqueiro e uma joalheria se uniram para criar um esquema internacional de lavagem de dinheiro que era desviado dos cofres públicos.

Parecia o crime perfeito. Empreiteiras contratadas pelo governo do estado do Rio de Janeiro pagavam propinas em dinheiro vivo para políticos, que compravam joias caras da grife H. Stern sem nota fiscal. 

Depois, os executivos da joalheria levavam o dinheiro para o escritório de um banqueiro que agia como doleiro. As boladas passavam por sucessivas contas de empresas de fachada em paraísos fiscais até caírem, convertidas em dólar, para a holding da joalheria no exterior. 

Para dar legalidade às transações, empréstimos com datas retroativas eram forjados entre o TAG Bank, sediado no Panamá, as empresas fajutas e a holding. 

Na média, esse circuito demorava dois dias para ser concluído e movimentou, segundo estimativas da Polícia Federal, R$ 90 milhões entre 2009 e 2015.

Tudo ia bem até que pistas colhidas em investigações da Lava Jato desencadearam a operação Hashtag, que prendeu o banqueiro Eduardo Plass na sexta-feira 3. 

Liberado sob fiança de R$ 90 milhões na quarta-feira 8, ele era o gerente dessa lavanderia internacional que se valia do TAG Bank, da qual é sócio majoritário, e de sua gestora de recursos no Rio, a Opus. 

Um de seus principais clientes era o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB), condenado a 15 anos de prisão por crimes de corrupção. Ele teria gasto no mínimo R$ 6,5 milhões em diamantes e outros itens de alto luxo nessa falcatrua com dinheiro do contribuinte. 

Condenado a 30 anos por pagar R$ 52 milhões de propinas — R$ 16,5 milhões para Cabral —, o megaempresário Eike Batista também teria se beneficiado.



Acordo de leniência

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal chegaram ao banqueiro após acordo de leniência com a H. Stern. Entre os signatários estão o presidente Roberto Stern, seu irmão Ronaldo (vice-presidente), e os diretores Oscar Goldemberg e Maria Luiza Trotta. 

Eles também pagaram multas e prestam serviços comunitários para sair da cadeia. Ao lado de Plass foram presas a sócia minoritária da Opus, Maria Ripper Kós, e a funcionária Priscila Moreira Iglesias. 

Em prisão domiciliar desde o domingo 5. Foram apreendidos documentos e e-mails que passaram por ambas, mostrando as movimentações ilegais. Na Opus foram encontrados R$ 115 mil em espécia, indício de que o esquema seguia em operação.

No dia da prisão de Plass, o procurador da República Almir Teubl Sanches afirmou: “A estrutura usada era da Opus, mas não a pessoa jurídica formalmente. A gente acredita que o dinheiro saía da H. Stern e ia para o escritório”. 

A defesa do ex-governador celebrou. “Talvez agora apareçam as joias e o dinheiro que atribuíram a Sérgio Cabral injustamente”, afirmou seu advogado Rodrigo Roca.

Plass ocupou a presidência do Banco Pactual entre 1997 e 2003, onde demonstrou ser eficiente e implacável. Em 1998, obteve as ações do fundador da instituição Luiz César Fernandes. 

Em 2004, vendeu sua parte e criou a Opus. Dois anos depois, comprou a corretora Ágora, vendida ao Bradesco em 2008 por R$ 1,2 bilhão. 

Na semana passada, o site da Opus informava ter mais de R$ 2 bilhões em ativos financeiros, imobiliários e investimentos em empresas no Brasil e no exterior. Entre seus sócios está José Márcio Camargo, coordenador do programa econômico de Henrique Meirelles (MDB) à presidência.ISTOÉ

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