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sexta-feira, 10 de agosto de 2018

CIRO DIZ QUE É ''DOCE DE COCO'' E QUE NÃO ELEVARÁ O TOM

Por Rogerio Palhano   Postado  sexta-feira, agosto 10, 2018   Sem Comentários

Ciro disse que sempre foi "paz e amor", mas que, ao mesmo tempo, sabe brigar e que não está na luta política para "alisar", pois não faz parte da máfia, na qual vigora "a lei do silêncio".

Presidenciável do PDT negou que tenha tido uma repercussão tímida no debate da Band.

Um dia após o primeiro debate presidencial na TV, o candidato do PDT, Ciro Gomes, disse que não pretende subir o tom para ter mais visibilidade na disputa. A estratégia, segundo ele, é seguir enfatizando as propostas de sua campanha.

— Acho que o povo brasileiro está tão sofrido, machucado, descrente, que temos que ser muito respeitosos, cuidadosos, delicados. É o que vou procurar fazer — disse a jornalistas, após evento promovido pela ONG Todos Pela Educação, nesta sexta-feira. — Ontem consegui ser duro, em certos momentos, mas sem levantar a voz, sem ser grosseiro. Não precisa ser. Esse monstro que criaram ao meu redor, da minha imagem, não guarda a menor coerência da minha vida. Sou um doce de coco, pode acreditar nisso — afirmou.

Ciro disse que sempre foi "paz e amor", mas que, ao mesmo tempo, sabe brigar e que não está na luta política para "alisar", pois não faz parte da máfia, na qual vigora "a lei do silêncio".

— Então, eu não falo do teu rabo de palha e você não fala do meu. E eu não pertenço à máfia. Então o Ciro é 'bocão' — disse.

Na sequência, citou alguns dos políticos que já denunciou por malfeitos, como o ex-deputado Eduardo Cunha, o presidente Michel Temer, e o senador Eunício Oliveira, com quem seu irmão e coordenador de campanha, Cid Gomes, firmou uma aliança informal no Ceará.

Ciro nega que tenha tido uma repercussão tímida no debate, mas a avaliação interna de sua equipe é de que o formato o desfavoreceu. Estes assessores admitem que outros oponentes, como o tucano Geraldo Alckmin e a candidata da Rede, Marina Silva, tiveram mais visibilidade por terem tido mais oportunidades de falar ao eleitor.

ANÁLISE:

No debate, Ciro prometeu tirar 63 milhões de brasileiros que estão com o nome sujo no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Questionado sobre como irá fazê-lo, explicou:

— Trata-se de entender o volume da dívida, que humilha 63 milhões de pessoas. De descontar do volume dessa dívida, com a mediação poderosa de um governo que sabe o que faz, de descontar todos os desaforos, como juros sobre juros, correção monetária, multas, entre outros, e refinanciar o que sobrar — afirmou.

Segundo Ciro, ao fazer isso, a dívida média por cidadão é de R$ 1,4 mil, o que seria factível de negociar mediante ações como o afrouxamento dos compulsórios dos bancos.

— Você acha que eu não tenho condição de o Banco do Brasil, a Caixa Econômica, mesmo a rede privada, se eu afrouxar um pouco os compulsórios, de refinanciar R$ 1,4 mil para você limpar o seu nome do SPC? — questionou.

Perguntado se, portanto, o projeto passaria por uma redução de depósitos compulsórios pelos bancos, ele tergiversou. Afirmou, na sequência, que é um "projeto que está sendo estudado", que ele sabe o que tem que fazer, e que quer que seus adversários "botem defeito”.

— Quero que esculhambem mais, que botem mais dúvidas, quero transformar isso num ‘hit’ e já estou conseguindo — disse. — Essa é a questão: quando é para rico é muito rápido e simples e quando é para pobre, todo mundo quer botar defeito.

Durante a sua exposição, Ciro criticou fortemente a emenda 95, do chamado teto de gastos, aprovada pelo governo de Temer, e que ele comparou a um "torniquete de pescoço". Segundo Ciro, o próximo presidente do Brasil "será derrubado em seis meses" diante da falta de condições de governar, caso não revogue a proposta.

— O baronato financeiro vai pedir o meu fígado na eleição — disse, em referência às críticas que têm feito à medida e aos elevados ganhos dos bancos com juros. — Nosso problema é conflito distributivo, porque a gente gasta muito com despesas financeiras — complementou.

PROGRAMA DE GOVERNO MAIS DETALHADO

De acordo com o coordenador de campanha de Ciro, Nelson Marconi, uma versão mais detalhada de seu programa de governo, que contempla 12 áreas, será divulgada no site do candidato até a próxima segunda-feira, dia 13.

A ênfase será a área econômica, mais especificamente sobre a meta de criação de 2 milhões de empregos no primeiro ano de governo. O programa também tratará de reformas, como a da Previdência, e explicará o projeto de Ciro de fortalecimento da indústria e da infraestrutura nacional.

— Serão diretrizes gerais e abertas à discussão com os setores envolvidos em cada uma das áreas — diz Marconi.OGLOBO

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