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quinta-feira, 9 de agosto de 2018

ALIANÇA ENVERGONHADA,MAIS EXISTE

Por Rogerio Palhano   Postado  quinta-feira, agosto 09, 2018   Sem Comentários



Esta coligação informal criada para a disputa para o Senado no Ceará envolve muito de hipocrisia e jogo de cena para a plateia - sobretudo nacional - e um tanto de olho no futuro.
Um disfarce para fingir não apoiar tanto assim o aliado. Fecha acordo, faz o arranjo, mas não formaliza aliança. PT e PDT estão morando junto com o MDB. Apenas não casaram de papel passado. Qualquer juiz reconheceria a relação estável. Na prática, é a mesma coisa ou muito perto disso.

A presidente do PT nacional disse que o partido não apoiaria Eunício Oliveira. A questão foi levada à direção nacional, que confirmou a decisão estadual: o PT não tem candidato a senador. Não foi permitido a José Pimentel concorrer à reeleição. A chapa de Camilo tem apenas um candidato. Como são duas vagas, qual a ideia? Deixar o Ceará com um senador a menos?

O PDT também disse que não queria conversa com Eunício. Ensaiou lançar André Figueiredo. No fim, também foi só com um candidato, Cid Gomes.

No fundo, o PT não quis oficializar o que é evidente: sua aliança com o MDB no Ceará. Com os "golpistas". Não há coligação, mas tem Camilo e Eunício grudados em tudo quanto evento, de jogo de futebol a oração. A aliança já existia no governo, o que é mais sério e mais importante que na campanha.

O PDT, por sua vez, não quis ter no palanque estadual de Ciro o carimbo de aliado ao partido que o candidato a presidente mais achincalha. Ele tanto falou dos acordos espúrios do PT com os emedebistas, com que cara ficaria país afora se o mesmo fosse feito no Ceará? Ocorre que seu grupo, desde o governo do seu irmão, faz o mesmo e faz pior do que qualquer governo fez em Brasília. Não sei se a aliança que governa o Ceará, a maior da história do Estado, já teve paralelo em algum outro estado.

Porém, a informalidade salva ao menos as aparências. Disfarça, ou tenta, a evidência: Ciro e seu grupo, no Ceará, estão aliados ao MDB. Estão aliados a Eunício. O resto é malabarismo, ginástica para esconder o óbvio.

É também uma tentativa de se resguardar para o futuro. Ciro e Cid sabem que é muito grande a chance de estarem trocando ofensas com Eunício daqui a pouco tempo. Querem ao menos o argumento de que não houve coligação formal. Do mesmo jeito que, em 2010, Ciro evitou palavras mais eloquentes em favor de Eunício. Parecia vislumbrar o rompimento que viria.

Com todos esses cuidados, na prática, se Eunício for reeleito, será pelas condições viabilizadas pela aliança governista. No fim das contas, isso é o que importa.

O governador Camilo Santana, quem já o entrevistou sabe, é escorregadio. Porém, justiça se lhe faça, é a única pessoa de sua aliança que tem dito a coisa como ela é com todas as letras: Eunício é o candidato dele ao Senado. É o de Cid. E ponto final.

O resto é jogo de cena de uma aliança que quer tirar proveito do acordo que faz sem arcar com o ônus.

Atenção à aliança do seu candidato

Ainda sobre a aliança governista, falei ontem da incongruência que é para o eleitor votar em senadores tão diferentes quanto Cid e Eunício. A situação é parecida quando se olha para o arranjo governista nas chapas proporcionais. Observe-se as eleições para deputado federal.

O eleitor vota em um, mas pode acabar elegendo outro do mesmo partido ou coligação. Então, quem vota no PP ou PR pode eleger deputado federal de PT ou PCdoB. São os extremos da política brasileira nos últimos três anos, unidos para eleger a bancada juntos. 

Que, uma vez empossados, provavelmente estarão defendendo posições opostas no Congresso Nacional. Dois dos partidos estão na coligação de Geraldo Alckmin (PSDB), dois na de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). E estão na mesma aliança no Ceará, para ser eleitos pelo mesmo voto.

Você pode votar em Luizianne Lins (PT) e eleger Vicente Arruda (PR), votar em Gorete Pereira (PR) e eleger Inácio Arruda (PCdoB), votar em Macedão (PP) e eleger Chico Lopes (PCdoB). Não, não é correto, não é honesto com o eleitor, não é saudável para a política. É uma marmota sem tamanho, que prejudica o fundamento da democracia representativa.
Érico Firmo/OPOVO

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