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domingo, 4 de fevereiro de 2018

APOIO DE LULA NAS ELEIÇÕES É RELEVANTE,MAS PERDEU FORÇA DESDE 2010;CAPACIDADE DE ELEGER ''POSTE'' DIMINUIU

Por Rogerio Palhano   Postado  domingo, fevereiro 04, 2018   Sem Comentários

A possibilidade de direcionar o eleitorado para onde for mais conveniente ao PT é um trunfo em queda.

Em um colégio eleitoral do porte de Belém (PA), com cerca de um milhão de votantes, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria capaz de, em 2010, presentear seu candidato preferido com 420 mil votos. 


Hoje, oito anos depois, esse poder de fogo caiu para 270 mil. Um número ainda expressivo, mas é na distância entre passado e presente que reside o maior problema do PT para enfrentar a eleição presidencial de 2018.

Na pesquisa Datafolha mais recente, 27% dos entrevistados disseram que o apoio de Lula “com certeza” faria com que votassem num candidato. 


Em fevereiro de 2010, 42% haviam respondido da mesma maneira — os percentuais foram projetados em Belém, de maneira ilustrativa, já que os números oscilam regionalmente.

A possibilidade de direcionar o eleitorado para onde for mais conveniente ao PT é um trunfo em queda. Um problema que fica maior no cenário em que a candidatura de Lula poderá ser barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — e sem deixar de lado a hipótese de prisão do ex-presidente depois da análise dos embargos no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

Há oito anos, turbinado por bons indicadores econômicos e o sucesso de programas sociais, Lula foi capaz de eleger para a Presidência um nome que nunca havia sido testado nas urnas — no jargão político, um “poste”, papel que coube a Dilma Rousseff. 


Há outros exemplos de sucesso, como a eleição de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo (2012), e fracassos, como as derrotas de Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo em 2006 e 2010. 

Fora do PT, Paulo Maluf elegeu, em 1996, o desconhecido Celso Pitta prefeito da capital paulista, entre outros casos. 

Não há na Ciência Política definição exata sobre quando um político conseguirá beneficiar um indicado com a própria popularidade e quando vai falhar na missão. Mas existem bons indícios, e uma análise da conjuntura atual deixa evidente que as circunstâncias são muito mais desfavoráveis a Lula do que eram quando deixou o Palácio do Planalto.

Quando apoiou a Dilma, Lula tinha a maior aprovação da História, e a memória daqueles bens de consumo (conquistados por uma parcela do eleitorado durante a gestão do petista) estava muito viva na mente das pessoas. É uma situação muito diferente da atual — aponta o cientista político Rubens Figueiredo, diretor do Cepac.

Discurso oficial à parte — “não existe plano B”, já disse a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR) —, há dentro do partido quem defenda que a discussão sobre um possível sucessor seja posta. 


O presidente da legenda no Rio, Washington Quaquá, externou durante a última semana uma visão mais pragmática: um vice petista na chapa, com Lula dizendo desde já “eu sou fulano, e fulano sou eu”. A demora em apontar um substituto, com a candidatura de Lula estendida ao máximo do limite legal, pode dificultar a transferência dos votos.

A informação leva um tempo para chegar a todos os eleitores (de Lula), que podem ficar sem saber em quem votar. Essa estratégia (de demorar a indicar um nome) pode ser fatal para o ex-presidente e o PT — avalia o cientista político Ricardo Caldas, professor da UnB.

Para Caldas, os 27% que asseguram votar em alguém indicado por Lula representam uma espécie de “colchão” de votos do petista — grupo formado, em maioria, por beneficiários do Bolsa Família e outros programas. 


Ele acredita que há outro perfil de apoiadores do ex-presidente, mas eles não necessariamente seguem suas orientações:

A partir do momento em que Lula é substituído por outro nome, a situação muda de figura, porque a relação de fidelidade era com o ex-presidente.

A liderança no Datafolha — chega a 37%, dependendo do cenário —, a capacidade de mobilização e a boa lembrança que setores do eleitorado têm de seu governo mantêm a relevância de Lula no cenário eleitoral. 


Mas a curva descendente de influência e as pendências judiciais tornam a situação cada vez mais desconfortável para o PT e o ex-presidente.OGLOBO

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