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domingo, 7 de janeiro de 2018

UM CANDIDATO À DITADOR A PROCURA DE UM PARTIDO

Por Rogerio Palhano   Postado  domingo, janeiro 07, 2018   Sem Comentários

Pela segunda vez na história do Brasil uma pessoa de perfil de extrema direita pretende se candidatar a presidente da República.

A primeira foi em 1937, quando Plinio Salgado tentou se candidatar pelo Partido Integralista às eleições presidenciais do ano seguinte, cujo vencedor deveria suceder a Getúlio Vargas.

Os integralistas eram uma cópia quase fiel dos fascistas italianos e tinham a mesma agenda truculenta.

Quando, em 1917, os trabalhadores russos derrubaram o czarismo e tomaram conta dos meios de produção, fato inédito na história da humanidade, a centelha se espalhou por toda a Europa.

A resposta dos patrões ao avanço dos operários foi a criação do fascismo na Itália.

Os fascistas não eram apenas contra os comunistas; eram anticomunistas, ou seja, pretendiam a destruição dos comunistas, tal como o antissemitismo prega o aniquilamento dos judeus.

Os fascistas brasileiros, que desfilavam de uniformes negros na Praia do Flamengo nos anos 30, antes do Estado Novo, faziam a mesma coisa: promoviam sangrentas batalhas campais com os comunistas nas ruas do Rio de Janeiro, das quais resultavam mortos e feridos, preparando o clima para a implantação do regime autoritário.

Getúlio convenceu Plinio Salgado a desistir da candidatura em troca de um futuro ministério no governo do Estado Novo e da preservação do seu partido em detrimento dos demais, mas o enganou: depois do golpe, nem o fez ministro nem preservou seu partido, acabou com todos de uma vez. Ao que os integralistas reagiram com um "punch" no qual tentaram matar Getúlio.

Somente em 1946, com a redemocratização imposta pelo governo americano aos generais do exército brasileiro, que depuseram Getúlio, os partidos voltaram a existir, mas o Partido Integralista jamais retornou, certamente porque a extrema direita não encontra repercussão suficiente na sociedade brasileira para tal.

O deputado Jair Bolsonaro é o Plinio Salgado redivivo, embora não exista até hoje nenhum partido de extrema direita no Brasil, o que explica a sua inadequação ao quadro político brasileiro.

Tendo se filiado e desfiliado de vários partidos, em nenhum deles encontrou apoio para sua agenda destrutiva que prega o aumento da violência – facilitando a população a se armar; a tortura – que apoia publicamente; a ditadura – da qual tem saudades; o assassinato em massa –já declarou que faria bem ao país fuzilar FHC e mais 30 mil brasileiros; e o fim da democracia –fechar o Congresso Nacional é outra intenção que já revelou publicamente.

Ele não consegue se enquadrar em nenhum partido grande porque não é aceito, essa agenda é incompatível com a democracia e tenta agora se apoderar de um partido pequeno de aluguel, com a condição de ser o "duce".

São partidos sem ideologia alguma, copos vazios a serem preenchidos, mas, aquele que patrocinar a candidatura de Bolsonaro vai se transformar, de imediato, num partido de extrema direita, seja qual for o seu nome.

E estará patrocinando não um candidato a presidente da República, mas um candidato a ditador.ALEX SOLNIK

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