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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

EM ANO ELEITORAL,CHACINA VIRA DISPUTA POLÍTICA

Por Rogerio Palhano   Postado  quarta-feira, janeiro 31, 2018   Sem Comentários


A Chacina das Cajazeiras, a maior da história do Ceará, tem gerado embate entre o governador Camilo Santana (PT) e o presidente Michel Temer (MDB). 

A “politização” do debatesobre segurança pública, no entanto, não deve ficar por aí: em ano eleitoral, a tendência é que o assunto vire disputa política, afirmam especialistas. E as consequências disso nem sempre são positivas.

O atrito iniciou no domingo, 28, quando o petista cobrou a responsabilidade do Governo Federal sobre a situação de violência no Estado e foi respondido por uma nota de tom pouco amistoso assinada pelo ministro da Justiça Torquato Jardim, no mesmo dia.

“O Governo Federal tem que cumprir sua responsabilidade. Não produzimos arma no Ceará, não produzimos droga”, afirmou Camilo. “A União seguirá cumprindo o papel de oferecer apoio técnico e financeiro aos estados (...), ainda que os governantes não solicitem apoio por razões eminentemente políticas”, respondeu Jardim.

A troca de farpas continuou ontem. Secretário de Governo de Temer, Carlos Marun afirmou em entrevista coletiva que o problema de segurança era “focado” no Ceará. 

“Transferir isso para o Governo Federal é um absurdo, então, com todo o respeito, quem não tem competência que não se estabeleça”, disse. Em entrevista à rádio O POVO CBN, o chefe de gabinete do governador, Élcio Batista, retrucou: “Entre 2015, 2016 e 2017, o Governo Federal não repassou um centavo para o Governo do Ceará. Nada, infelizmente”.

Giovani Jacó, coordenador do Laboratório de Estudos da Conflitualidade e Violência da Universidade Estadual do Ceará (Uece), lamenta. 

“É um disse-me-disse, uma troca de acusações, que só revelam como hoje o estado brasileiro está perdido por não ter um modo de segurança pública que possa orientar todas as ações, um modelo de referência”, avaliou.

Ele acredita que o ano eleitoral está contribuindo na politização do debate sobre o tema e diz que se sente pessimista com a situação. “Em vez de se buscar uma solução, se busca definir muito bem as oposições para tirar proveito político e eleitoreiro”, analisa. 

Segundo ele, o fato de Camilo e Temer pertencerem a grupos políticos opositores vai dificultar o diálogo e a construção de políticas públicas conjuntas para resolver o problema.

O sociólogo Ricardo Moura, também pesquisador do Covio, discorda. Ele diz que o diálogo entre Governos Estadual e Federal deve ocorrer, motivado, inclusive, pelo ano eleitoral. 

“Daqui a pouco começa a campanha, e essas chacinas vão ser material de crítica de adversários políticos. Se o Camilo chegar até a campanha numa situação de violência deflagrada, isso pode fazer com que os ganhos do seu governo sejam diminuídos frente à população. Isso faz com que ele queira se mobilizar de forma mais intensa”, considera.

Ele admite, porém, que reação do governo Temer foi mais agressiva se comparada com casos de violência em outros estados, como o Rio de Janeiro, que recebeu tropas federais. 

“Há jogo de empurra: o Governo Estadual precisa jogar o problema para cima, e o Governo Federal para baixo. Ambos adotam postura defensiva para limitar o problema e não trazê-lo para si, porque ter isso no colo, principalmente em ano eleitoral, ninguém quer”, explica.

Por meio da assessoria de imprensa, o governador informou que não se manifestaria sobre as acusações. OPOVO

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