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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

A TERRA PLANTADA JÁ ESPERA POR CHUVA

Por Rogerio Palhano   Postado  terça-feira, janeiro 23, 2018   Sem Comentários

O chapéu vai ao alto em agradecimento. É que mesmo acompanhando a batalha dos seis anos sem chuvas suficientes no Ceará, o pedaço de terra onde
José Antônio Ferreira, 44, cultiva sempre lhe garantiu o sustento. “Nunca faltou, até quando é mais difícil, o milho cresce”. 

Neste ano, na plantação em Maranguape, distante 30 quilômetros de Fortaleza, ele tem certeza que vai ter chuva boa. No local, as primeiras fileiras de milho já são vistas de longe e só esperam um tanto de água para vingar.

“Tem gente que diz que eu sou doido porque já no dia 23 de dezembro comecei a cavar aqui para colocar as sementes. Cavei isso aqui no pó de terra enxuta, mas isso é porque tô esperando chuva boa. Tenho fé”.

Fé e profissão que aprendeu com o pai. “Desde novo eu peguei gosto pelo plantio”, conta enquanto mostra o crescimento dos primeiros pés de macaxeira e o trilho de pés de feijão que começa deixar a terra alta. “É que a semente já vai abrindo e isso aqui é Deus quem ‘agoa’. O povo pensa que sou eu”. 

A previsão do agricultor para este ano coincide com o prognóstico anunciado ontem pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). “Este ano, eu posso até me enganar, a chuva está tardando, mas vai ser melhor que no ano passado”. 

Em tempos sem chuva, o jeito é garantir o crescimento do milharal nos primeiros meses. “Aí é só esperar para terminar de crescer na força da boneca”. Ele se refere a quando começam a florescer as espigas jovens (bonecas). Uma vez bem desenvolvidas, a irrigação não é mais necessária.

Ainda ontem, o agricultor Leandro de Paula, 48, começou o processo de preparação da terra para plantação. “Eu tentei ver o que a Funceme ia dizer hoje (ontem), mas meus amigos disseram que ia ser bom”, sorri. Ele conta que, para aproveitar a água, é preciso plantar mais e esperar boa colheita.

“No tempo de chuva, de inverno mesmo, a gente vê tipo um cinzento grande na frente”, aponta para o horizonte. “Este ano ainda não chegou, mas a gente está esperando”.

De acordo com dados do Calendário das Chuvas da Funceme, a média de precipitações no município de Maranguape em dezembro de 2017 foi de 9,3 milímetros. Já nos primeiros 22 dias de janeiro deste ano, a observação preliminar é de 48,4 milímetros, com maior chuva no dia 7 deste mês.

Para Luciano Rodrigues, 51, é preciso que, mesmo boas, as chuvas sejam na média. “Porque senão encharca a terra e se encharcar, pronto, não tem mais como plantar”, explica o agricultor.

Ele conta que é a partir do mês de abril que a espera pela água aumenta. “Janeiro, fevereiro e março é só para as plantas irem se criando, para haver maior ‘chuvoeiro’ é de abril em diante”.

Mesmo com a possibilidade de encharcar a plantação, ele conta que o desejo é de que venha muita água. “Com os legumes a gente dá um jeito. Ter açude cheio é melhor, pra todo mundo ficar bem”, conclui.

POÇOS Nos últimos três anos, a gestão Camilo Santana (PT) contabiliza a perfuração de 4,5 mil poços para garantir o abastecimento de água no interior do Ceará. EDUARDA TALICY/OPOVO

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