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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

BRASIL; O RACISMO NERVOSO

Por Rogerio Palhano   Postado  segunda-feira, dezembro 04, 2017   Sem Comentários


Agressões e ofensas na internet, como as sofridas pela filha de Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank,
escancaram o quanto o criminoso discurso do ódio racial está arraigado à sociedade brasileira

Enquanto brincava em casa, a filha dos atores Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank, Titi, de quatro anos, foi vítima de ofensas racistas gravadas no domingo 26 e divulgadas amplamente nas redes sociais por uma brasileira que se apresenta como socialite e vive no Canadá. 

Onze dias antes, o ator Diogo Cintra, 24 anos, foi assaltado e espancado em São Paulo. Pior: teve o pedido de ajuda negado por seguranças do Terminal Parque Dom Pedro II, em São Paulo. 

Na véspera do ataque, a atriz Thaís Araújo falou em uma palestra sobre as dificuldades em criar filhos negros em uma sociedade assolada pelo racismo.

Instantaneamente, recebeu milhares de críticas que a acusavam de adotar um discurso vitimista, sugerindo que seus filhos não estariam sujeitos à discriminação por terem uma melhor condição social. 

No início do mês, o apresentador da Rede Globo, William Waack, foi afastado da emissora após ter sido flagrado dizendo a frase “é coisa de preto” em um vídeo na internet.

Fatos como esses escancaram o racismo presente em todos os espectros sociais no País. Porém, para cada manifestação preconceituosa que ganha os holofotes há milhares de outras que não vêm à tona e nem são flagradas. 
“Isso é somente a ponta do iceberg de um racismo estrutural que faz pessoas trocarem de calçada ao ver um negro e negarem oportunidade de emprego com base na cor da pele. São comportamentos aceitos no dia a dia”, afirma Luana Genót, presidente do Instituto Identidades do Brasil.

Sob o nome artístico de Day MacCarthy, a agressora de Titi foi identificada como Dayane Alcântara Couto de Andrade, 28 anos. Um diuma perspectiva limitada e cruel. 

“Ter as características questionadas ainda na infância pode desencadear conseqüências no desenvolvimento da personalidade, da autoconfiança e na auto-estima”, afirma Clélia Rosa, pedagoga, especialista em enfrentamento ao racismo nas escolas. 

“As crianças negras não se veem nas mídias, nos programas de televisão, nos brinquedos. É como se fossem invisíveis.”a após gravar as ofensas, que faziam referência às características físicas da garota, a auto-intitulada socialite e escritora de sucesso, chegou a somar 50 mil seguidores ao 700 mil que já possuía antes da repercussão da injúria racial.

“Como ela se manifestou publicamente, ganhou muitos adeptos ao discurso do ódio”, diz Maria Sylvia de Oliveira, advogada e presidente do Geledés – Instituto da Mulher Negra. 

“A ideia de que o negro deve estar em lugares desqualificados continua presente no imaginário social e isso faz com que o racismo se perpetue”, afirma. Um dos motivos que impulsiona atitudes racistas, segundo a especialista, é que uma parte da população não aceita a ascensão social protagonizada pelos negros nos últimos anos. “Melhores postos de trabalho e lugar nas universidades eram espaços em que a população negra não cabia.”

Outro fator que cristaliza o racismo no Brasil está ligado à educação. “Nossas referências históricas são centradas na Europa” diz Luana. “Faltam alusões às figuras negras responsáveis pelas transformações sociais no País.” O racismo também se consolida pela falta de familiaridade com a cultura africana. 

“O negro representa o perigo e a pobreza, e até hoje isso não mudou nos livros escolares”. A lei que propõe o ensino da história da África nunca saiu do papel em grande parte das instituições de ensino. Além disso, as referências estéticas esmagadoramente brancas fortalecem discursos como os da agressora de Titi e impõem às crianças negras
Propagadora do ódio

Day McCarthy se apresenta como blogueira, socialite e escritora de sucesso


> Segundo a polícia americana, ela foi presa sob acusação de manter uma casa de prostituição no estado de Virgínia, nos EUA, em 2015

> Em vídeo, ela afirmou: “Só no Brasil que a polícia tem tempo para mimimi. Não tenho medo de processo. Não é crime achar uma criança feia”

Impunidade
Um dos grandes problemas do racismo e da injúria racial é a falta de punição aos responsáveis pelos crimes. Dayana, por exemplo, pode ficar impune porque pela legislação canadense existe racismo e não injuria racial, delito pelo qual vai responder. Por outro lado, uma condenação no Brasil pode criar dificuldades para renovar o visto de permanência em outro país. 

Os pais de Titi também podem entrar com uma ação indenizatória por danos morais na Justiça do Canadá. A falta de punição aliada ao anonimato da internet oferece na maior parte dos casos terreno fértil para desestimular vítimas a denunciarem.

Para jogar luz sobre a segregação racial no Brasil, a ex-consulesa da França Alexandra Loras criou a exposição “Pouquoi pás?” (Por que não?, em português). 

Nela, personalidades brancas como Michel Temer, Gisele Bündchen e Donald Trump aparecem caracterizados como negros. Acusada de praticar “blackface”, recurso pelo qual atores brancos pintavam o rosto com carvão para representar personagens negros de forma satirizada, a ex-consulesa afirma que a intenção é aplicar a lógica invertida: 

“É uma dinâmica para trazer empatia, para os brancos entenderem como o nosso mundo, considerado libertário e meritocrático, é um absurdo.”

“Poderia estar morto”

No dia 15 de novembro, o ator Diogo Cintra, 24 anos, foi abordado por dois homens no Terminal Dom Pedro II, em São Paulo. Correu em busca de ajuda e ouviu de um vigilante: só corre. 

Mais três homens armados com pedaços de madeira afirmaram que Diogo havia tentado assaltá-los e convenceram os seguranças que ele deveria pagar pelo crime. Levado para fora do terminal, o ator levou socos pelo corpo e pauladas na cabeça. 

Levado a um hospital na manhã seguinte, Diogo não quer apenas se recuperar dos ferimentos. Quer andar pelas ruas livre de atitudes racistas.ISTOÉ

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