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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

2018; SURGE O CAMILISMO

Por Rogerio Palhano   Postado  terça-feira, dezembro 05, 2017   Sem Comentários


As manifestações públicas do grupo Ferreira Gomes sobre a aliança com Eunício Oliveira (PMDB) não combinam com os gestos do governador Camilo Santana (PT). 

Breve retrospecto: Cid Gomes (PDT), em 16 de setembro: “Quem decide é ele (Camilo), e o que ele decidir estou para ajudar. Eu não sou de ficar criando dificuldades”.

Disse mais: “Apoio a gente sabe que a gente tem que receber de todo o mundo, isso não quer dizer que a gente vai se comprometer ou sair daquilo que é a nossa linha, nosso projeto, nosso pensamento. Mas se uma pessoa quer apoiar a gente, por que faz sentido você recusar apoio?”. Porém, ele ponderou sobre a negociação: 

“Não vou dizer que sim nem que não, mas se tiver que acontecer, eu acho que essa coisa tem que ser conversada e tem que ser construída. Como é que um dia desses aí a gente estava falando uma coisa e no dia seguinte a gente muda completamente de opinião? Eu acho que não pode ser assim, tem que haver aí um processo de compartilhamento de informações”.

André Figueiredo, presidente pedetista no Ceará, em 16 de setembro: Teve gente que já estava na boleia desse caminhão junto com o Cid e na primeira oportunidade quis tirar o nosso pessoal dessa boleia e tomar o comando do nosso caminhão. (...) Se for dar carona a um mau elemento, o mau elemento vai querer roubar o seu caminhão e vai jogar todo o seu pessoal do lado de fora”.

Ciro Gomes (PDT), por sua vez, assim se posicionou, em 29 de setembro: “Acho (uma aliança com Eunício) muito improvável porque nós nos distanciamos de forma muito agressiva e acho que um movimento desses seria muito estranhamente visto pelo povo (...), não acho bom pra ele nem bom pra nós”.

Em 17 de setembro, Eunício participou de evento no Palácio da Abolição e afirmou: “A aliança é administrativa em prol do Ceará. Se essa aliança se estender para um outro tipo de processo desde que não seja para beneficiar eleição de A ou de B e, sim, para que o Ceará possa continuar avançando e se desenvolvendo, ela é possível”.

Em 23 de setembro, Ciro voltou a falar do assunto: “Não vejo isso acontecendo”, disse sobre a aliança.

Na última sexta-feira, 1º, Eunício voltou a deixar aberta a possibilidade de entendimento: “É uma parceria para beneficiar a população cearense. Se isso resultar em uma parceria político-eleitoral, só o tempo dirá”.

No sábado, 2, Ivo Gomes (PDT), mais novo dos irmãos, compartilhou notícia sobre o evento com Camilo e Eunício e colocou no Facebook: “Está se sentindo incomodado”. Comentou ainda: “Lula fazendo escola no Ceará”.

No mesmo dia, Cid Gomes dizia em entrevista: “Se em nome dessas duas questões for importante a aliança com A, B, C, D ou E, de Eunício, muito bem”.

Uma coisa fica clara: os irmãos Ferreiras Gomes não estão em sintonia sobre o assunto. Ciro e Ivo rejeitam o acordo. Cid, ao seu estilo, tenta não pressionar Camilo. Deixa a decisão nas mãos do governador. Coloca algumas condicionantes, mas deixa a possibilidade em aberto. Mesmo sem entusiasmo algum.

Camilo, por sua vez, nada fala sobre 2018. Diz que deixará o assunto para o ano eleitoral — cada dia mais próximo. Porém os gestos falam mais que a boca do governador. O fato é que ele está conduzindo a aproximação. É construção dele.

A CONSTRUÇÃO DO GOVERNADOR

Ciro não gosta, Cid aceita, Ivo se incomoda. Mas, a iniciativa e os atos para se aproximar de Eunício são de Camilo. É, até hoje, o mais relevante gesto político construído pelo governador — parte de um grupo político do qual não é o líder principal. Talvez seja o princípio da construção de um polo de poder que podemos chamar de camilismo — assim como ocorreu ao cidismo ao ganhar certa autonomia em relação ao cirismo.

TATIANA FORTES
TATIANA FORTES

Por ora, a aliança é administrativa. Não precisava, entretanto, ganhar os contornos pessoais que vêm sendo dados. Ao tornar públicas questões gerenciais, a aproximação muda de tom.

A questão é saber se, na composição eleitoral, Camilo terá força para se impor. É bom Eunício ficar de olho nisso. Com Ciro pré-candidato a presidente, talvez a autonomia da qual tem desfrutado tenha as asas cortadas. ERICO/OPOVO

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