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terça-feira, 28 de novembro de 2017

LEI BRASILEIRA PERMITE ATÉ 5.000 VEZES MAIS AGROTÓXICO DO QUE EUROPA

Por Rogerio Palhano   Postado  terça-feira, novembro 28, 2017   Sem Comentários


De acordo com estudo, trabalhadores rurais e pessoas que vivem em regiões próximas às plantações são as principais vítimas de contaminação.

Um estudo inédito revela que a legislação brasileira permite utilização muito maior de resíduos na água e nos alimentos em comparação com a União Europeia. A contaminação da água é o que mais chama a atenção: o limite é 5.000 vezes superior ao máximo permitido na água potável da Europa.

A contaminação dos alimentos também preocupa. Como cita o "UOL", no caso do feijão e da soja, a lei brasileira permite o uso de agrotóxicos no cultivo em quantidade 400 e 200 vezes superior ao liberado na Europa, consecutivamente.

O levantamento denominado "Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia" foi realizado pela pesquisadora Larissa Mies Bombardi, do Laboratório de Geografia Agrária da USP (Universidade de São Paulo).

"Infelizmente, ainda não é possível banir os agrotóxicos. Por isso, é importante questionar por que o governo brasileiro não usa parâmetros observados no exterior", pontua Bombardi, que ressalta que a permissividade em relação à água "é uma barbárie".

A União Europeia limita a quantidade máxima que pode ser encontrada do herbicida glifosato na água potável em 0,1 miligramas por litro, o Brasil permite até 500 vezes mais. Segundo o estudo, o Brasil tem 504 agrotóxicos de uso permitido. Desses, 30% são proibidos na União Europeia, alguns há mais de uma década.

Ainda de acordo com o levantamento, os trabalhadores rurais são as principais vítimas de contaminação, seguidos por quem vive em regiões próximas às plantações.

Uma pesquisa da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) estima que, para cada caso registrado, 50 não foram. Isto quer dizer que mais de 1 milhão de brasileiros foram intoxicados por agrotóxico entre 2007 e 2014, sendo que um quinto das vítimas é criança ou adolescente.

"A intoxicação representa 2% do total de problemas de saúde que podem acometer a sociedade. As doenças crônicas não são estudadas como deveriam", revela Bombardi.

A assessoria de imprensa do Ministério da Saúde ainda não se pronunciou.

Por e-mail, a Anvisa informou que "realiza a avaliação toxicológica dos agrotóxicos, antes de os mesmos serem registrados pelo Ministério da Agricultura" e que há uma série de restrições para registros de agrotóxicos no país.
UOL

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