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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O TRIUNFO DO ROUBA MAS 'FAZ' PELO SOCIAL

Por Rogerio Palhano   Postado  sexta-feira, outubro 06, 2017   Sem Comentários

A última pesquisa DataFolha que trouxe mais uma vez o ex-presidente Lula (PT) bombando na preferência do eleitorado revelou um paradoxo que ameaçou fundir a cabeça de
quem teve acesso aos números. Afinal, apesar de 34% dos entrevistados terem indicado intenção de voto no petista, 54% defenderam abertamente sua prisão com base nas revelações propiciadas pela Lava Jato. 

Que país esquizofrênico é este em que a maioria defende tanto a eleição quanto a prisão de uma liderança política que se transformou em ícone da mais profunda controvérsia eleitoral de sua história recente?

Foi o que tentaram explicar três dias depois da divulgação da sondagem, por meio de artigo publicado na própria Folha, Mauro Paulino, diretor-geral do instituto, e Alessandro Janoni, seu diretor de pesquisas. Na verdade, não há saída possível para entender o quadro trazido pelo DataFolha, senão pela constatação de que é revelador do nível de tolerância à corrupção a que a sociedade brasileira chegou. Paulino e Janoni chegaram à triste conclusão com base no grau de concordância dos entrevistados com algumas frases utilizadas exclusivamente para mensurá-la.

Segundo eles, da análise conjunta de uma matriz com seis frases, quatro de correlação direta com o tema da corrupção, foi possível perceber que uma taxa elevada de eleitores que condenam a prática cai praticamente pela metade quando ela é associada a determinados fins. 

No total, apenas 40% dos entrevistados mantêm-se firmes na posição de condenar a corrupção sob qualquer aspecto. 60%, portanto, a maioria, segundo os pesquisadores, a admite, mesmo que em parte, em algum momento, dependendo da finalidade a que o crime é associado.

No eleitorado de menor renda e baixa escolaridade, exatamente aquele que pretende votar em Lula, segundo a pesquisa, esse percentual chega a 77% e também é elevado entre os mais jovens. 

Outras frases que, de acordo com os pesquisadores, relativizam junto ao eleitorado a criminalização da corrupção são: “A corrupção é até aceitável no país se servir para gerar empregos e fazer a economia crescer” e “Se um governante administra bem um país não importa se ele é corrupto ou não”. Enfim, um horror!

Para eles, a explicação para a tolerância com a corrupção diante de ações sociais está justamente no peso quantitativo do eleitorado mais carente. Afinal, dizem, em um universo onde 47% têm renda familiar mensal de até dois salários mínimos, taxa que cresce para 66% quando se inclui até três salários, a demanda por políticas públicas para a diminuição da desigualdade tem o seu apelo eleitoral. 

Paulino e Janoni não dizem – nem precisavam – o quanto o PT, Lula e os fiéis seguidores da seita a que se referiu Antonio Palocci, ao defenderem-se contra tantas evidências de malfeitos, têm colaborado decisivamente para difundir a tolerância com a corrupção detectada na pesquisa.

* Artigo publicado originalmente na Tribuna da Bahia.

Raul Monteiro*

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