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sexta-feira, 1 de setembro de 2017

LI E GOSTEI; PARA VIVER MELHOR, SEJA OTIMISTA

Por Rogerio Palhano   Postado  sexta-feira, setembro 01, 2017   Sem Comentários

A política vai mal. A economia vai menos mal. Não por que esteja bem, mas sim por ter parado de piorar.

Em um grande evento da área do varejo que ocorre em São Paulo, essa percepção parece generalizada. Há um certo otimismo no ar.

Ouvi atento às exposições de dois experientes empresários varejistas: Abílio Diniz (ex-Pão de Açúcar) e Flávio Rocha (Riachuelo). O primeiro, otimista convicto. O segundo, que já exerceu dois mandatos de deputado federal quando ainda muito jovem, se posicionou um pouco mais cauteloso. Talvez por saber o quanto a política pode interferir na economia. Para o bem e para o mal.

Rocha foi eleito deputado federal constituinte em 1986. Foi reeleito em 1990, quando ficou conhecido por sua agenda liberal. Era como uma andorinha solitária tentando fazer verão. 

O pensamento estatista hegemonizava o Brasil de então. Rocha passou as últimas duas décadas fora da política e dentro das empresas fundadas por seu pai, que se agigantaram. Hoje, mantém a visão liberal e, fala-se, busca-se colocar como opção política para 2018.

Mas, que 2018? Na política, o ano vindouro está escuro e obscuro. Até aqui, prevalece a mais completa incerteza no que diz respeito às regras que vão reger as eleições do ano que vem. 32 anos após o último presidente militar deixar o poder por uma porta lateral do Palácio do Planalto, chegamos a esse ponto. A democracia está manca. Sim, mas seguirá.

Nas mais de três horas de voo entre Fortaleza e São Paulo, didiquei-me a ler A ditadura acabada, o último da série de cinco volumes assinada pelo jornalista Elio Gaspari. Em conjunto, a obra tratou do “amanhecer” do regime militar até seu fim. Um trecho do livro reproduz fala de Ernesto Geisel que antevia um risco. O general estava certíssimo. Seu temor se concretizou. Não na ditadura, mas na democracia.

Em meados de 1978, o ditador que desenhou a linha lenta e gradual da abertura política tratava com assessores acerca do fim do bipartidarismo estabelecido em 1965. Geisel defendeu “uma nova fórmula” que possibilitasse a criação de novos partidos, mas também abrigasse um dispositivo para evitar a proliferação de pequenos partidos. Sim, era a cláusula de barreira.

Na verdade, Geisel não criou nada. Apenas copiou prática solidificada nas democracias de todo o mundo. Na regra definida pelo general, seriam nulos os votos dados a candidatos das siglas que não conseguissem 5% do eleitorado nacional. Simples. A ideia era conceder representatividade popular e abrangência nacional aos partidos.

Agora vejam, segundo Gaspari, o argumento de Geisel: “É um processo imaginado para evitar que, amanhã, o Brasil tenha 10,12,14 partidos e aí, através da corrupção, comecem a vender legendas”. Bingo! O velho ditador sabia bem o que dizia. Só errou num ponto: em vez de dez partidos, a frouxidão premeditada das regras que vieram anos depois permitiu que mais de 30 partidos tivessem assento no Congresso.

Mas, o que isso tem a ver com a escuridão de 2018? Tudo. São as sopas de letrinhas que hoje impedem a reforma política para o ano que vem. É a velha história: pra quê mudar as regras que nos beneficiaram e nos permitiram estar aqui, como deputados? Sim, é esse o pensamento médio que reina.

Então, como ser otimista? Como bem disse Abílio Diniz em sua palestra, os otimistas estressam menos.

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