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domingo, 10 de setembro de 2017

DE AMIGO E HOMEM DE CONFIANÇA DE LULA A DELATOR; A ASCENSÃO E A QUEDA DE PALOCCI

Por Rogerio Palhano   Postado  domingo, setembro 10, 2017   Sem Comentários

Sem nunca ter perdido uma eleição, o então ministro da Fazenda Antônio Palocci era nome de peso em 2006 na cúpula do PT para suceder a Luiz Inácio Lula da Silva. 

Braço direito do presidente e principal astro da equipe que conseguia ótimos resultados na economia, o médico sanitarista ganhou mais força após José Dirceu deixar o governo no escândalo do mensalão. Pois 11 anos depois partiu extamente de Palocci o depoimento mais comprometedor para Lula.

“Emilio Odebrecht procurou Lula nos últimos dias de seu mandato e levou um pacote de propinas, como o terreno do instituto, que já estava comprado, o sítio para a família, e disse que tinha à disposição R$ 300 milhões para o presidente fazer a atividade política dele”, contou Palocci ao juiz Sérgio Moro. Em abril, quando foi divulgado que o ex-ministro negociava acordo de delação, Lula disse estar tranquilo. 

“Palocci é meu amigo, meu companheiro há 30 anos, uma das maiores inteligências políticas do país. Está trancafiado, mas não tenho nenhuma preocupação com a delação dele”, afirmou Lula no Twitter.

Agora, em conversas com aliados, Lula diz que está decepcionado com Palocci. Além de negar as acusações, o ex-presidente se queixa de expressões usadas no depoimento a Moro, como “pacto de sangue” e “propina”. A defesa de Lula ressalta que o novo depoimento de Palocci contradiz outros prestados por Palocci e delatores.

A proximidade entre Lula e Palocci vem de muito tempo, antes de o PT chegar ao Planalto. Os dois estão entre os principais fundadores do partido, em 1980. Pouco depois de ingressar na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeiro Preto, em 1978, Palocci militou na Libelu (Liberdade e Luta), movimento estudantil de tendência trotskista.

Entre 1985 e 1988, trabalhou na Secretaria de Saúde de São Paulo como diretor do Hemocentro de Ribeiro Preto e diretor do Serviço de Vigilância Sanitária do estado. Palocci ganhou cada vez mais força dentro do PT. Em 1988, entrou para a atividade parlamentar e, aos 28 anos, foi eleito vereador em Ribeirão Preto.

Sua ascensão na política ocorreu ininterruptamente. Apenas dois anos depois, ainda no meio do primeiro mandato, ele se elegeu deputado estadual. Também permaneceu dois anos na Assembleia paulista e, em 1992, ganhou a Prefeitura de Ribeirão Preto. Preferiu não tentar a reeleição, disputou uma cadeira na Câmara dos Deputados e foi eleito com 125 mil votos.

Campanha Em Brasília, Palocci se tornou um dos principais nomes do PT. Voltou a conquistar a Prefeitura de Ribeirão Preto, em 2000, mas deixou o cargo para coordenar a campanha presidencial de Lula em 2002. Após três derrotas em disputas presidenciais (1989, 1994 e 1998), Lula passou por uma significativa transformação para a campanha de 2002. 

Enquanto marqueteiros fizeram mudanças na imagem do ex-sindicalista, que tinha um discurso radical, coube a Palocci fazer a interlocução de Lula com o setor empresarial. Foi do médico a ideia de publicar a Carta ao Povo Brasileiro, em junho de 2002, na qual Lula se compromete a governar respeitando contratos. O documento idealizado por Palocci serviu para acalmar o mercado, que receava a vitória do petista.

No governo Lula, Palocci foi nomeado ministro da Fazenda e adotou uma política econômica baseada no controle da inflação, superávit primário e na manutenção dos marcos gerais do Plano Real. O resultado foi queda da inflação, fortalecimento do real frente ao dólar e – grande marco da atuação de Palocci – a quitação da dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI). 

Sua atuação no comando da equipe econômica rendeu muitas críticas de lideranças da esquerda, que consideraram Palocci um adepto das políticas neoliberais deixadas por Fernando Henrique Cardoso.

Ainda que tenha passado ileso durante o escândalo do mensalão petista em 2005, Palocci foi alvejado em outras denúncias de corrupção e a partir de 2006 viu seu nome se enfraquecer como candidato a sucessor de Lula. Ele foi acusado de articular repasse de caixa dois de campanhas petistas em 2002 e 2004 e fazer lobby para empresários.

A candidatura de Palocci foi descartada no PT depois que estourou o episódio do caseiro Francenildo dos Santos Costa, que trabalhava em uma casa alugada por lobistas em Brasília e teve seu sigilo bancário quebrado de forma ilegal. 

O caseiro tinha revelado o encontro de Palocci, então ministro da Fazenda, com empresários e lobistas fora da agenda oficial. Com o titular da Fazenda enfraquecido, Dilma Rousseff, então ministra de Minas e Energia, foi a escolhida para disputa eleitoral de 2010.

PATRIMÔNIO MULTIPLICADO

Com a eleição de Dilma, em 2011 Palocci voltou ao centro do poder, desta vez como ministro-chefe da Casa Civil. Mas a nova passagem pela Esplanada dos Ministérios seria breve. 

A denúncia era de que o médico aumentou seu patrimônio em 20 vezes entre 2006 e 2010. Em junho, ele foi o primeiro a deixar o governo Dilma, apenas seis meses depois de assumir, naquela que ficou conhecida como “faxina”.

Apesar de ter ocupado vários cargos públicos de destaque, a maior força de Palocci estava nos bastidores da política e nas negociações para arrecadações de campanhas. Mas foram exatamente essas articulações que o levaram para cadeia. 

Em junho, ele foi condenado pelo juiz Sergio Moro a 12 anos de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O juiz entendeu que Palocci negociou propinas com a Odebrecht por meio de contratos com a Petrobras.

Preso há um ano, durante a Operação Omertà (nome de uma fase da Lava-Jato que faz referência à origem do codinome “Italiano” que a Odebrecht usava em planilhas para citar Palocci e que ele assumiu em depoimento a Moro), o ex-ministro não tinha admitido nenhum crime até esta semana, quando prestou depoimento bombástico a Moro. 

Além de assumir todos os crimes de que era acusado no processo, Palocci implicou Lula nas articulações e pode ter novamente interferido em uma eleição presidencial.

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