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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

CANDIDATOS TERÃO DE SE REINVENTAR PARA BARATEAR CUSTOS DAS ELEIÇÕES DE 2018

Por Rogerio Palhano   Postado  segunda-feira, setembro 04, 2017   Sem Comentários


Entre os 10 deputados federais mais votados no último pleito, seis gastaram acima de R$ 2 milhões cada um na disputa.
Mesmo com a popularização das novas tecnologias e a mudança radical nas práticas de difusão da informação, políticos ainda utilizam velhas estratégias na hora da campanha. 

Abusando do horário eleitoral no rádio e na televisão e gastando com a impressão de materiais gráficos, cada parlamentar utiliza, em média, R$ 6 milhões para se eleger. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2014, foram gastos R$ 5,1 bilhões nas campanhas dos cargos federais, como presidente da República, governadores, senadores e deputados federais.

Entre os 10 deputados federais mais votados no último pleito, seis gastaram acima de R$ 2 milhões cada um na disputa. Entre os partidos, o PR teve as despesas mais elevadas para as campanhas, sendo R$ 10 milhões para cada candidato a deputado federal e R$ 5 milhões, para os estaduais. O DEM, o PSDB e o PP estimaram gastos de R$ 7 milhões para cada uma das cadeiras na Câmara dos Deputados.
Em meio à discussão no Congresso para a criação de um fundo público de financiamento de campanha, inicialmente orçado em R$ 3,6 bilhões, a conta paga pelo eleitor já é alta. De acordo com a Ong Contas Abertas, no ano que vem, o governo deixará de arrecadar R$ 1 bilhão por causa da isenção de impostos para as emissoras de rádio e tevê veicularem o horário eleitoral tido como gratuito. Além disso, a Justiça Eleitoral tem um custo anual em torno de R$ 7 bilhões.

O secretário-geral da Contas Abertas, Gil Castelo Branco, aponta que, no quadro econômico atual, não se deveria debater o aumento do custo das eleições. “Antes de se discutir mais recursos para os partidos políticos, é preciso avaliar o barateamento das eleições. A democracia no Brasil já é financiada pela sociedade ao custo de R$ 7,2 bilhões em ano fora do período eleitoral. Além disso, neste ano, tivemos um fundo partidário de R$ 839 milhões”, destaca.

Após 20 anos atuando em campanhas políticas em Brasília, o marqueteiro Marcelo Senise não tem dúvidas de que é possível reduzir as despesas na hora de atrair votos. “As campanhas, naturalmente, se tornaram mais baratas. Antes, 100% dos investimentos de um candidato eram focados em materiais impressos. Hoje, esse gasto não deve representar mais do que 5%. Dá para economizar 90% usando aplicativos, sites e redes sociais”, afirma.

Alternativas

Alguns candidatos mostram que é possível vencer uma eleição com um gasto relativamente pequeno. É o caso do deputado Marco Feliciano (PSC-SP), que utilizou menos recursos na campanha entre os 10 ocupantes da Câmara que tiveram maior número de votos. “Eu gastei em toda a campanha R$ 145 mil. Esse valor foi investido na divulgação pela internet e em material gráfico. As redes sociais foram os principais mecanismos. Mesmo gastando bem menos, eu alcancei 400 mil votos”, diz o parlamentar, que revelou ter investido ainda em visitas presenciais em templos religiosos.

Regionalmente, também é possível fazer uma campanha bem barata. Sem patrocinadores, o deputado distrital Israel Batista (PV) usou as redes sociais. Batista se elegeu com 22 mil votos para a Câmara Legislativa do Distrito Federal. “Gastei R$ 195 mil na campanha, que ocorreu praticamente pelas redes sociais. 

Na internet, você pode interagir com o eleitor. As pessoas estão cansadas das campanhas antigas, sem autenticidade. Nós temos ferramentas boas e baratas para divulgação, como os aplicativos. E, mesmo assim, ainda tem gente querendo colocar o custo da campanha no bolso do cidadão”, critica.

Entre 2002 e 2014, o gasto por candidato durante a disputa por uma vaga de deputado federal aumentou 283%. De acordo com informações prestadas à Justiça Eleitoral por oito dos maiores partidos políticos — PT, PSDB, DEM, PP, PMDB, PPS, PSB e PR —, na campanha de 2002, cada deputado federal gastou R$ 1,6 milhão para se eleger, frente a 6,4 milhões em 2014. 

Entre os mais votados que alcançaram um cargo na Câmara, o deputado Rodrigo de Castro (PMDB) fez o maior investimento para conquistar os eleitores. De acordo com dados oficiais, a campanha dele custou R$ 4,5 milhões. Como obteve 292 mil votos, o político gastou em média R$ 15 para cada eleitor que conquistou — os que gastam menos, desembolsam, em média, R$ 0,50. Em segundo lugar, aparece o deputado Reginaldo Lopes (PT), que reservou R$ 4,4 milhões para conquistar uma cadeira na Casa.

Dicas

Reduzir os custos em santinhos, camisetas e panfletos e investir panfletagem virtual;
Manter uma página na internet atualizada, com informações de interesse do eleitor. Responder os questionamentos é a mais barata de conquistar votos;
Aproveitar o espaço na tevê para apresentar melhor a proposta;
Promessas não cumpridas ficam na internet. Faltar com a verdade pode custar caro;
Planejar os gastos com antecedência pode reduzir em até 90% o custo.

R$ 6 milhões
Preço médio que custou a eleição de cada deputado federal em 2014.
CORREIOBRAZILIENSE

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