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domingo, 25 de junho de 2017

CRISE NA POLÍTICA. FALTA PUNIÇÃO E SOBRA EXPLICAÇÕES

Por Rogerio Palhano   Postado  domingo, junho 25, 2017   Sem Comentários


Apesar de os delatores da Odebrecht, por exemplo, terem citado nomes ligados a 26 dos 35 partidos brasileiros, as
causas mais comuns de expulsão das legendas são infidelidade partidária e indisciplina. 

Até o momento, pouco se ouve sobre procedimentos nas comissões de ética ou punições contra envolvidos, condenados ou citados em escândalos. 

Para o analista político da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Paulo Baía, o debate existe apenas em tom acusatório e para apontar as defeitos morais dos adversários. No entanto, os partidos falham em olhar para si mesmos.

“São corporações que defendem interesses individuais. Portanto, a maioria dos partidos tradicionais não tem interesse efetivo em discutir ética. Ao fazer isso vão contra eles mesmos. A falta de abertura de processos não é um relaxamento, é um procedimento de auto defesa”, avalia.

Muitos partidos sequer reconhecem que há problemas em seus quadros.

Como resultado, nenhum tipo de prevenção tem sido realizada. Legendas e políticos que estiveram envolvidos no Mensalão, no Cartel do Metrô de São Paulo e na Máfia dos Sanguessugas voltaram a aparecer na Operação Lava Jato.

A socióloga Dulce Pandolfi, da Fundação Getúlio Vargas, analisa que o corporativismo que move os políticos a saírem em defesa uns do outros e revelar certos deslizes é um traço social. 
Ele pode ser observado inclusive outras esferas do poder, como entre juízes e procuradores. Ela aponta ainda a desconfiança de políticos perante o Judiciário como causa para a inércia.
“Como um partido vai punir algum dos seus quadros se ele não acha que a Justiça está cumprindo seu papel? É um ponto delicado”, questiona. Mais à frente

A presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, que também responde a inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF), afirma que o partido irá prezar pela cautela para separar culpabilidade de perseguição política. 

“Nós não vamos fazer nenhuma caça às bruxas em razão da pressão de mídia ou do que está acontecendo dos processos da Lava Jato”, diz. Ela justificou ainda que o PT quer analisar os fatos depois do fim do processo.

Ela contou que somente o ex-deputado preso e condenado em 1ª instância, André Vargas, e o ex-senador Delcídio do Amaral foram levados à comissão de ética. Delcídio, no entanto, saiu do partido antes da expulsão. Gleisi argumentou que medidas como a suspensão de doações de empresas em campanhas deve ajudar a evitar casos como o da Lava Jato.

O PSDB adota postura similar ao PT, de espera que os filiados se defendam e recorram perante o judiciário. “Quem é condenado perde os direitos políticos. Então já está fora (do partido)”, disse o secretário-geral da legenda, deputado Sílvio Torres. 

O dirigente afirma ainda que, no caso do ex-governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, condenado por desvio de dinheiro público a 30 anos de prisão, o partido acredita na inocência dele. “Temos quadro de qualidade no PSDB”, diz.

No PMDB, que recentemente teve o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, condenados a 14 e 15 anos respectivamente, também não foram abertos processos sobre esses casos. 

O POVO procurou o presidente interino Romero Jucá, os dirigentes peemedebistas Eunício Oliveira, Leonardo Picciani e Eliseu Padilha para comentar os casos, mas não houve retorno.

“Está se fazendo a poítica do avestruz. Não se discute isso. A cúpula parlamentar se envolveu e estão todos catatônicos. Não é só o PMDB, são todos os partidos”, afirma o senador Roberto Requião (PMDB). 

Ele conta que em seu estado, Paraná, houve pressão na comissão de ética que resultou na saída de filiados. “Eles mesmos saíram antes do julgamento.” Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, que também teve citados, diz que o estatuto do partido prevê punições, mas até o momento, não houve nada comprovado contra seus membros. 

PT

O petista José Dirceu foi condenado por dois escândalos com 10 anos de diferença entre eles. Ainda assim, o partido não tomou providências sobre o caso. Pelo contrário, há inclusive correntes que defendem Dirceu. PMDB

O próprio Eduardo Cunha já havia respondido a outros processos e esteve por suspeita de improbidade administrativa, antes mesmo de se filiar ao PMDB. O ex-parlamentar chegou a ser um dos nomes mais influentes na sigla. PSDB

Embora seja quase unânime a defesa por eleições para nova executiva, o PSDB já disse que não irá expulsar o presidente licenciado Aécio Neves.A votação só pode ser convocada se Aécio for expulso ou renunciar. O tucanos esperam que a saída da presidência nacional parta do próprio Aécio. 

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